Publicado por: oclandestino | junho 17, 2009

Casas caiadas e solitárias

O pensamento que cabe a nós, ainda que disperso, é como as pessoas. Tão diversas em sua profundidade porém, tão frequentemente resumidas a pequenas condições que, ainda que parte de um todo, perigam não permitir a identificação de uma mutabilidade que é tão nossa que, tanto pessoas quanto pensamentos, ainda que num diálogo confrontem-se pela inflexibilidade das palavras, ao tempo de serem proferidas num discurso, já mudaram-se. Diria-me: Os pensamentos, essas idéias em cada uma das pessoas é uma coisa assim, que não se encontra, que não se conversa, senão por meio da pessoa, e ela ainda, por querer o conservar, priva-se logo de um contato íntimo com a idéia alheia, numa tentativa clara de preservação pela moral. Mas e como são as pessoas? Misturam-se assim tão diferentemente da água e do óleo ou preferem manter-se, por um instinto racional e individualista, cercadas por suas idéias em suas casas caiadas e solitárias, porque lhe é tão mais confortável como um sofá que de tão familiar ao corpo, se não senta-se nele, lhe ataca uma alergia ou um nervoso que é como tal?

11:24 17/6/2009

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Publicado por: oclandestino | maio 11, 2009

Sobre oclandestino

Uma ex-descrição de meu profile no orkut há alguns 3 anos atrás:

Por José Ruy Gandra

“Paulo e Pedro têm suas próprias mães – e uma diferença de idade considerável: 13 anos. Sou digamos, o jovem pai de Paulo (e quase avô de Pedro). Esse vértice etário tem me permitido viver situações singulares. Questões muito parecidas em sua essência, mas vividas por cada filho de modo absolutamente distinto. Geralmente, essas experiências vêm separadas por um bom lapso de tempo. Às vezes, simultaneamente. Como agora.
Na véspera deste último Natal, Paulo, 22, pediu a mão de sua Adelita ao sogro. O bom homem, com lágrimas nos olhos, aquiesceu. Como ele, eu os abençôo. Pelo menos, eles foram sábios o bastante ao reservar este ano para que, com a devida calma, essa intenção vá se cristalizando em gesto. Se tudo correr bem, aí sim: casam-se em janeiro de 2007.
Nem é sempre fácil ver um filho presa da paixão. Os calabreses chamam-na de fulmine (raio, em italiano). Adelita e Paulo foram fulminados um pelo outro. Sucumbiram. Ainda vão atrair borboletas e beija-flores de tão apaixonados.
(…)
Gostaria de poder-lhes dizer isso. Mas não posso. Os apaixonados não ouvem ninguém. Vivem imersos em si mesmos. Todo grande amor nos torna tolos. E, ao mesmo tempo, avizinha-nos de Deus. Por isso, os abençôo. A paixão abre os poros do corpo e do espírito. Torna-nos, ainda que por um simples período, absurdamente completos; Quem experimenta esse vendaval quase sempre se torna alguém melhor. Paulo, por exemplo. O amor de Adelita o fez perceber muita coisa à sua volta. Adoçou-o. Sejam então bem-vindos, meu filho e nora, ao mundo dos que vivem e sofrem.
Pedro é outra história. Completará, em agosto, 10 anos.Especulando sobre a futura festa, fez uma única exigência: não convidar nenhuma menina. Pos é. Pedro vive a chamada loucura dos amigos: Guiga, Liça e Titi. Seus pequeninos grandes chapas. Outro amor que dói, de tão grande. Pedro quer estar o tempo inteiro com eles. As meninas por ora, são seres estranhos.O que conta é a turma – e mais ninguém. Mais nada.
De novo, a vontade de palpitar. Amigos também são fontes de desapontamento, Pedroca. Traem, decepcionam, fazem-nos sofrer – e, mesmo assim, os amamos. A vida é breve, imprevisível e corrida. Por isso, digo a Pedro “Amigo é muito bom”. Por isso, digo a Paulo “Ame Adelita com todas as suas forças”. Porque amor acaba, os amigos acabam, A vida acaba. Ainda assim, bem-aventurados os que amam – e os ainda capazes de cultivar uma grande e verdadeira amizade.”

De fato, a efemeridade dos sentimentos e das experiências tem presença de peso nos discursos mais sensatos que já vivenciei. Porém, torço demais pra que estejam todos errados, com isso não acabando em pessimismo. O amor de um pai ao filho, que, um dia também pai, passará esse amor à seu pupilo, é um exemplo familiar, ainda que ideal, de que o amor sobrevive. Amizade também parece ser uma forma de amor, ainda que nem todos a cultivem dessa forma. Então, se assim for, ainda diria que “bem-aventurados os que amam” porque o amor parece ser a única coisa que fica da vida.

Publicado por: oclandestino | março 25, 2009

Economia Solidária

Tardo mas não falho, assim como essa entrevista realizada pelo Fala Brasil há quase 5 anos com Paul Singer – renomado economista, professor e “solidário” – a qual, até pelo seu envolvimento, ainda que ligeiro, na gestão federal, parece que tem se tornado mais e mais atual dadas as condições que experimentam estudantes em geral, pais e mães de família, racional consumidores e trabalhadores ao assistirem aos telejornais, lerem jornais e sofrerem, ainda que sem querer, sem entender, a cada dia um pouco mais, quando o tema é Economia ou Política. Assim, penso que a idéia de Economia Solidária vem em hora boa: Demissões em massa, Concentração das Responsabilidades a cada dia que passa. Tudo isso sem cheirar à panfleto e cartilha partidária de conteúdo tão encantador quanto enganador. Segue a entrevista.

Ainda que um projeto político, surgem meio às perguntas bons conceitos e idéias com relação à Ética e Moral, contempladas num âmbito prático de respeito aos demais prezando a liberdade individual, a mesma que sempre tida como elemento de defesa exclusivo conservador, quando os assuntos são Economia, Meios de Produção, Consumo etc. Ah, acho legal atenção aos problemas que as comissões ligadas aos Ministérios enfrentavam no fim de 2004: Muita experiência daí podia ter sido tirada para uma política um pouco mais alternativa por parte do Copom quando a Crise chegou a esfera produtiva no Brasil, no fim do ano passado.

Bom, sem mais, sou fã desse projeto e de Paul Singer, mesmo não sendo algo que eu ache que vá brotar de governo algum aqui no Brasil com a força que merece e necessita.

Publicado por: oclandestino | março 20, 2009

Link Permanente de Jan/Fev/Mar

Boa Noite,

Uma alpaca invadiu o nosso estúdio em janeiro e desde então fazia morada próxima ao computador. Amanhã eu retomo as postagens e refaço esse site de compensações textuais por quase 2 meses de inatividade.

Bom dia.

boêmio rapsodo com o rodo ele dança num gesto senil de sentir esperança e uma vez ser gentil sem o dente cerrado da lembrança de um breve amor errado

Publicado por: oclandestino | janeiro 22, 2009

“Relembrar” pode significar “reviver”, combustível àquele pensamento saudosista, como também pode significar “entristecer-se” à maioria da poesia. Que esse exercício tenha um pouco dos dois: De lembrança e poesia, já que a tristeza pelo que passou e a saudade parecem caminhar em comunhão – elas alimentam o respeito ao amor e à aprendizagem – além de fazer um pouco bem para o coração. Reescrevendo Pessoa, eu sou do tamanho daquilo que me lembro, e não, do tamanho da minha altura. Aquilo guardado na memória, rapidamente fica cinza, desbotado, se não guardado, também, no coração. Creio, assim, que a lembrança que segue se manteve viva dessa maneira, algo que eu recomendo a quem tiver um grande coração.

O Centro de São Paulo, pelo pouco que dele vivi até hoje, me era maior enquanto criança que nada dele conhecia, apesar de ainda achá-lo mais imponente que qualquer outra porção da cidade. Filho de alguém que lá sempre trabalhou – desde cedo me vi por lá passeando e acompanhando meu pai – o Centro da cidade me era o lugar da novidade – brinquedos, diga-se de passagem – onde, para a minha alegria de ter nascido no fim do ano, eu podia pedir o dobro de presentes nessa época do ano. Contudo, penso que não seja feita de brinquedo a minha maior lembrança do lugar a que me refiro.

Ainda pequeno, aprendi a muito bem me alimentar no Centro e arredores do Bairro da Liberdade, sendo fácil lembrar-me da famosa pastelaria Yoka, fundada na Rua dos Estudantes por uma família japonesa há não muito tempo atrás, mas tempo suficiente para quem ainda não viveu completamente nem duas décadas dizer que foi há bastante tempo. De fato, o meu dia preferido para visitar a pastelaria – ainda que fosse o único da semana que eu podia ir ao trabalho de meu pai – era o sábado, pois, havia uma promoção que permitia levar-se dois pastéis pelo preço de um, o qual era motivo de sobra para meu pai me levar até lá para fazermos um lanche (Eu nunca soube ao certo se isso era verdade mesmo, ou se só uma desculpa para meu pai também comer, já que eu, como bom filho coruja, sempre o vigiava na ausência de minha mãe quanto a se ter um peso saudável).Depois, já maior, voltei algumas vezes ao lugar e, sempre que com uma companhia diferente, muito orgulho do lugar que eu freqüentara constantemente quando mais novo.

Agora, pergunta-me se os adolescentes e jovens de hoje em dia são insensíveis às memórias e ao passado ainda que recente, depois de lhes perguntar sobre a sua infância. Nessa faixa etária que abraça os anos da adolescência até a maternidade e a paternidade, ensaia-se muito pragmatismo a fim de preparar o jovem para o dia-a-dia corrido e exigente das grandes cidades. Porém, repito, pergunta-lhe sobre sua infância, para ver se as memórias dessa época não são ricas em emoção.

Publicado por: oclandestino | janeiro 14, 2009

A Cidade

Sinto que tenho feito parte de algo importante, ainda que essa importância se limite ao meu redor – círculo de amigos, familiares – aqueles que com certeza vão, ainda, ouvir muitas de minhas histórias!

Tenho escrito e mantido nessa página pouca coisa de caráter estritamente pessoal. Bom, isso tudo é bem relativo (e como eu detesto ter que incluir esse termo em um texto) já que o que aqui é relatado não deixa de ser parte da memória que tenho e estou passando cotidianamente. Isso tem valor, a lembrança. Pena que, para gente não se arrepender com algo memoriado outrora, essa lembrança merece estar bem guardada, bem lapidada. E pra ser sincero, é isso que eu vou praticar e tentar daqui pra frente.

Diretamente dramático e dramaticamente direto: tive hoje, um sufocante e quente dia de meio de janeiro, uma experiência, no mínimo, muito especial – Atenção, provavelmente esse post do Oclandestino termine com alguma recomendação/sugestão, portanto, anota no Bloco de Notas do Windows, no encardido post-it que você carrega na mochila ou na contracapa do primeiro livro que encontrares.

Conheci uma senhora (espero que isso não lhe soe desafinado), bióloga de formação acadêmica, que trabalha com a história do Centro de São Paulo partindo de um tema que ela denominou “Memória e lembrança das pessoas”. Como a mesma disse, “Se os historiadores descobrirem o que eu estou fazendo, eles iam dizer que isso não é história” ou algo assim, já não sei mais se o seu trabalho é com história ou com outra coisa que não é história. Pelo que percebi, trata-se de uma figura que, para quem já é blogueiro dos bons e há bastante tempo, ela deve ser uma figura tão famosa quanto curiosa, uma vez que ela, Neuza, também tem um blog!

No momento, ela ministra um ciclo de Palestras interativas sobre o Centro de São Paulo na Casa das Rosas na Avenida Paulista, atividade que, como fiquei sabendo, ela já executou algumas vezes nos últimos anos (últimos 3 anos, se não me engano). Não pretendo me estender quanto à sua história, muito menos lhe fazer uma breve biografia, já que eu mesmo sei muito pouco da pessoa que venho caracterizando há algumas linhas. De qualquer jeito, foi ela mesmo quem me passou o endereço de seu blog Vovoneuza e nele eu encontrei links de reportagens que algumas mídias fizeram sobre ela e seu trabalho, as quais, seguem abaixo:

Moradores contam histórias da maior cidade brasileira (Globo.com)

Vovó Blogueira (Época SP)

Foi pedido a quem estivesse frequentando essa atividade, que se escrevesse à respeito de memórias e lembranças sobre o Centro de São Paulo. No mais, ao que eu tiver acesso e o que eu também produzir (se), tentarei registrar aqui no Oclandestino. É claro que para a juventude da qual fasso parte, são rasas as poucas memórias do Centro que são guardadas e polidas, mas imagina só, tu, o que não são lembranças para uma sala inteira de avôs e avós, como diz a própria Neuza, aqueles da juventude acumulada?

Eu fico por aqui. Se algo me é lembrança, memória, capaz de virar um bom texto de ser lido, uma poesia quem sabe, eu não sei. Mas que eu espero lembrar por muito, muito tempo, a experiência que hoje eu tive, ah, isso sim é fácil de dizer. Ah, por pouco quase me esqueço da famigerada recomendação: Há cursos e ciclos de palestras muito legais lá na Casa das Rosas por um preço muito acessível que, pra mim, é meramente simbólico ($10), para quem ainda está de férias e em São Paulo. Olhando a programação que tenho em mãos, dá vontade de fazer todos eles. Hoje (14) começa o “O Corpo e Poesia”, com Claudio Willer, bem como amanhã começa o “Goethe e Schiller – Antigo versus moderno”, com Pedro Galé, os quais, pelo que aqui eu li, merecem destaque. Dia 17 começam outras três dessas aulas-palestra. A quem se interessar: a Programação.

Publicado por: oclandestino | janeiro 11, 2009

Direito Clandestino

No primeiro dia do ano em que vos escrevo, foi notícia de que, para o Vaticano, a ONU é ineficaz na luta contra a pena de morte, como segue o argumento de Celestino Migliore:

“O [monsenhor Celestino Migliore, ] observador do Vaticano nas Nações Unidas, afirmou hoje que a ONU é ineficaz no combate à pena de morte. Para Migliore, o organismo internacional de não protege a vida humana de forma adequada. Em entrevista à Rádio Vaticano, o monsenhor disse que a ONU não se empenha em garantir a todos o ‘direito à sobrevivência’.”

Volta e meia me percebo debatendo muita coisa que é fácil perceber, a exemplo da incompetência da ONU a influenciar a criação de políticas no que diz respeito à prática dos Direitos Humanos. Assim, me valho dessa notícia para fazer um apelo ao debate do Direito Natural, levando em conta o pouco que  fora estabelecido como área de estudo e crítica dos Direitos Humanos que carrega, ao menos, um pouco de sensibilidade.

Como é que se ensina a uma criança que aprende sobre a ONU na escola, em noticiários, que esta em nada e nunca faz algo de efetivo?

Segue também o trecho da música Classe Média, de Max Gonzaga, que traduz o meu mau-estar com relação à pena de morte: “Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta/ Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida”

Publicado por: oclandestino | dezembro 9, 2008

Fantástico

Hipótese de Campeonato melado por arbitragem, Corinthians factóide (R”F”9), crise financeira, fechamento de cursos de Medicina, Vestibular, “politicômetros”, novos blogs, velhas idéias (caducas!), dinheiro na cueca, catástrofe em SC e café frio.

É tanta coisa que compõe essa terça-feira que eu começo a achar que hoje é segunda e estou percebendo um defeito da Matrix.

Ou melhor, começo a achar que não devia estar aqui a reproduzir fingida indignação. Vou requentar o café de cedo e esquecer o que passou, dando risada de tudo o que acontece como se fosse a primeira vez.

Publicado por: oclandestino | dezembro 6, 2008

“Bússola Política”

Meio a tanta besteira que freqüentemente se vê na internet e revistas com relação à teste disso, teste daquilo, “veja se você é ciumento”, “veja se você é uma pessoa calma”, eis que me deparo com o famoso “politicômetro” em versão original e em inglês. Uma versão adaptada deste programa fora, anteriormente, divulgado uma das mais famosas “mídias manifesto-semanais” em português e com um número reduzido de perguntas. Porém, como cabe dizer, essa é a versão original do programa que atesta a orientação política do usuário com base em respostas dadas a perguntas de múltipla escolha pré-determinadas.

É um site engraçado.  Se você entende um pouco de inglês, vale a pena conferir o Political Compass (É curiosidade, eu sei), pois me recuso a postar a versão que fizeram em português.

Publicado por: oclandestino | dezembro 5, 2008

Que muitos brasileiros – quase todos – têm ancestrais portugueses, todo mundo sabe, é brincadeira né? Que muitos brasileiros, também, têm ascendência espanhola, ninguém duvida (yo no hablo español pero yo tengo abuelos y tatarabuelos hispanicos!). Novamente, que muitos deles, em épocas passadas, foram judeus e mouros, antes, de convertidos ao cristianismo, realmente não é história nova, afinal os “cristãos-novos” são um fenômeno conhecidíssimo pela forte presença de alguns sobrenomes na nossa cultura. O que acontece é que chegou a minha casa um exemplar da Folha nesta manhã com uma notícia que não pude deixar de comentar (O estudo em questão fora chefiado pelo geneticista Mark A. Jobling, da Universidade de Leicester, Reino Unido, foi publicado ontem na revista “American Journal of Human Genetics”):

“Cientistas da Europa e de Israel, estudando o cromossomo masculino Y, demonstraram agora o grau dessa presença na península Ibérica; DNA revela o destino dos judeus ibéricos Linhagens paternas de espanhóis e portugueses têm 20% de genes de ancestrais judeus sefarditas e 11% de norte-africanos”

E continua…

“O estudo revelou que, em média, os espanhóis e portugueses têm 19,8% de genes de ancestrais judeus sefarditas e 10,6% de ancestrais norte-africanos. Em alguns locais, como o sul de Portugal, a mistura gênica de judeus chegou a 36,3%; Mais do que refletir a ocupação moura de partes da península (veja quadro à direita), a pesquisa revelou o impacto da conversão forçada de muitos muçulmanos e judeus após a Reconquista cristã.”

De fato, a ciência tem se mostrado eficaz no que diz respeito a identificação de genes em comum em porções animais. Fazia tempo que eu procurava uma notícia que desse uma luz com relação à movimentos de migração dos judeus. Afinal, somos tantos brasileiros de sangue “genuínamente português” que deve haver gente com uma porção tão grande desses genes, aqui no Brasil autorizada a receber alguma bolsa do Banco Safra pra viajar pelo Oriente, pra aprender um pouco dessa cultura.

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